Ménage no Boteco
   Pão com manteiga e café.

Eu adoro pão com manteiga e café. E, acredite, isso tem a ver as novas formas de se comunicar do “homos ocupadus” dos dias atuais: orkut, chat, e-mail, celular, blog, MSN, second life, you tube, skype, nextel, site, carta. Carta?!!!!! Incrível como um advento como a carta, mesmo ainda sendo o único meio de comunicação de muita gente nesse brasilzão, está em decadência. E o que dizer do telefone fixo? Deixou de ser preto e feio outro dia e já está fadado à extinção.

 

Nesses dias fui ao Museu da Língua Portuguesa para ver a exposição sobre a vida e obra da Clarice Lispector. Lendo uma carta que ela escreveu ao então presidente Getúlio Vargas fiquei realmente comovido com o conteúdo. E era uma simples carta. Ela pedia sua naturalização, já que nasceu na Ucrânia e veio para o Brasil com 2 meses de idade. A carta tinha voz. Meus olhos podiam ouvir seu conteúdo. Pura poesia. Contato direto da alma de Clarice com uma possível alma do Getúlio. E, anos depois, com a minha. O papel da carta está deveras amarelado. Clarice morreu. Getúlio morreu a si mesmo. E aquela conversa ao pé dos olhos ainda ecoa entre nós, mesmo com o delay do tempo.

 

Hoje em dia, todo mundo fala com todo mundo, ao mesmo tempo, on line. Mas on line com o quê? Que tipo de conexão afetiva existe entre 2 pessoas que teclam no MSN? Ainda não inventaram nada que substitua o olho no olho. O tom da voz. O gestual. Mas encontrar amigos fisicamente hoje é quase uma heresia. O “homo ocupadus” entrou de vez na era da vida lascada. Não sou nada contra as novas tecnologias, mas as usamos por contingência. Cada vez mais. No piloto-automático. Comunicamos-nos uns com os outros quase como o Outlook envia aquelas respostas automáticas de férias.

 

Pra mim, chat é como andar no meio de uma multidão em um show de rock, trombando com desconhecidos, ouvindo apenas ruídos. Orkut, pra mim, é quase cemitério digital. As pessoas estão lá, mas não estão, entende? Você pode estar morto, mas as pessoas vão continuar deixando scraps. Chico Xavier se comunicava melhor. E blog? Muita gente só comenta um texto para não pegar mal com o amigo. E morre aí. Comunication breakdown. MSN me lembra aquele filme “O sexto sentido”. Com a diferença: I see live people, every day. A toda hora você tem a estranha sensação deles estarem lá, no cantinho do seu computador. Te olhando. Mas não podemos tocar. São fantasmas. Geralmente, ocupados. Não podem teclar. Mas por que ficamos on line se não podemos teclar? Para não morrermos digitalmente. Para continuarmos assombrando os que vêem nossa fotinho com a caricatura dos Simpsons. E Second Life? Pergunte ao meu avatar. Alias, convide meu avatar para ir ao seu aniversário. Sem comentários. Que tal boteco? Sexo? Ou um simples “oi, como vai”, com abraço e beijo?

 

Daqui a pouco alguns de vocês vão comentar este texto. E pára por aí. Voltarão aos seus mundinhos e continuarão conversando com seus dedos. Acho que hoje em dia falta aquela coisa de saber o que o outro vai falar antes dele falar. Falta o lance de atravessar a conversa, sem ter que esperar piscar a tela do computador pra responder ao seu interlocutor. Falta alma, falta emoção, falta voz nas conversas. Igual a carta da Clarice ao Getúlio. Falta memória, falta cumplicidade. Igual àquele negócio que eu sinto e que ninguém deu nome ainda, mas que o pão com manteiga e o cafezinho falam para mim todas as manhãs.

 

Paul Glande raramente escreve.



Escrito por Paul Glande às 9h29 PM
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   Gente Louca

Eu tinha trabalhado muito e depois que o sofrimento acabou fui jantar com uma amiga na casa de espetos de sempre.

Optamos pela mesa externa já que estava uma noite agradável. Sentamos, pedimos bebericos e as comidas. Do lado direito uma mesa vazia. Do lado esquerdo um cara degustava alguma coisa que eu não identifiquei, solitário. Ele beirava os 40 anos. Era magro e um pouco grisalho.

Eu contava uma história. Uma história longa cheia de detalhes e reviravoltas. Quem me conhece um pouco sabe e já está acostumado: quando eu engato a segunda na história longa cheia de detalhes e reviravoltas, eu praticamente não paro de falar nunca mais. Mas a minha interlocutora estava super interessada. Me interrompia apenas para fazer algumas perguntas, com dúvidas no tempo da narrativa. E eu ia contando, animada. Lá pela metade da história, noto que o solitário também parecia interessado. Ele já era quase parte da minha mesa, e jantava com o corpo inteiro virado para nós, prestando uma atenção incômoda no meu monólogo na nossa conversa. Perdi a concentração por duas ou três vezes. O tal do grisalho começava a me irritar.

Não satisfeito em ouvir histórias alheias, foi só eu fazer uma pausa para um gole do refrigerante, ele se manifestou:
- Com licença!

Ensaiei meu melhor olhar de desprezo e me virei pra ele.
- Desculpa te interromper, mas posso fazer uma pergunta?
Evidentemente que não Acenei positivamente com a cabeça, a contra gosto.
- Eu tenho certeza que você é sagitariana.
- Errou – e me virei de volta à amiga.
- Não é? Ah, então é virginiana!
- Não, não sou – já meio brava.
- Ah, me desculpa. Então, você é louca!

Levei uns dois segundos e meio pra ter certeza do que o infeliz tinha dito, exatamente:
- O quê???
- Você não deixa ela falar! Faz 20 minutos que eu tô aqui e só você fala, olha a cara dela - minha interlocutora estava vermelha feito um caqui e se esborrachava de rir, sem emitir som algum.
- O senhor nem me conhece... Faça o favor de não atrapalhar a minha conversa e se concentre no seu jantar.
- Me fala seu signo?
- Não!
- Por favor!
- Não!!! Não me obrigue a ser deselegante e falar um palavrão. Me deixa em paz, ninguém te chamou aqui na conversa!

Ele virou de volta pra mesa dele e pronunciou algumas palavras pra ele mesmo. Riu sozinho. Parecia se divertir. Nem lembro onde eu parei...

E depois a louca sou eu!

 

Garçom, uma camisa de força no velhote à esquerda, por favor!

 

Verga Lião fala pelos cotovelos às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira!

 



Escrito por Miss Verga Lião às 1h21 AM
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   De fato

Quando entrei no ônibus, ainda meio sonolento, não percebi a presença delas, na porta do fundo, sentadas nos degraus de saída.

Conversavam serenamente, sem escândalos e os tradicionais gritos escandalosos de meninas adolescentes.

Demorei um pouco para me dar conta de que estavam ali. Comecei a notá-las quando me sentei defronte à porta, bem perto de ambas...

Confesso que tal situação pode parecer ridícula para este balzaco escriba. De fato... Eu também pensaria a mesma coisa.

Meus atordoados botões receberam esta pergunta... E ficaram tão atordoados quanto eu.

Não eram duas meninas lindas. Eram bonitas, apenas. Uma, mais velha, aparentemente, talvez 24 ou 25 anos. A outra, que podia ser amiga, irmã ou namorada, aparentava seus 22 ou 23.

Os leitores e leitoras devem estar se perguntando: “Esse idiota fica semanas sem escrever e vem com essa melação, essa pieguice? Que ridículo”. De fato... Eu também pensaria a mesma coisa.

O fato é que as meninas me cativaram instantaneamente. Não chegou a ser uma tara, uma pauderescência (Ave Xico!). Acho que o instinto paterno também pesou.

Foi lindo ver os olhares. Os gestos. O carinho recíproco.

Seus olhos brilhavam mutuamente.

Ainda que fosse uma tara lesbiana, foi lindo de ver. Não era apenas uma tara baratinha, um sarro. Havia muita sensualidade e doçura entre ambas.

Ao mesmo tempo, ainda que fosse uma grande amizade – de irmãs ou de amigas simplesmente - mais belo ainda, elas arrumavam seus cabelos, seus brincos. Tocavam-se nos rostos e só se dirigiam uma à outra se olhando diretamente nos olhos.

Aquilo me entorpeceu. Fiquei cerca de quarenta minutos observando seus sorrisos – aliás, uma delas, a mais nova, sorria não apenas com a boca: sorria com as sobrancelhas. É lindo quando uma garota ‘sorri com os olhos’: é inquietante, apaixonante.

Será que eram namoradas ou amigas? Não sei, não me interessava. Era lindo e isso que importava. De fato... Eu também pensei a mesma coisa.

Continuei atentamente acompanhando as duas e sacolejando dentro do Pinheiros, em direção ao trabalho. A trilha sonora do China-Pod-da-25 tinha Old Love e Layla juntas, misturadas a Georgia on my Mind e Des Hauts, Des Bas as quais foram ideais para a situação toda.

Subimos toda a Augusta e chegamos ao ponto ‘antes da Paulista’.

A garota que ‘sorria com os olhos’ desceria ali. Provavelmente para trabalhar em algum banco ou seguradora ou escritório jurídico.

O encanto se quebraria imediatamente. O pânico me dominou.

Mas foi momentâneo: veio a despedida!

Fellini teria inveja. Copolla não ousaria mandar repetir a cena.

Algo indescritivelmente belo acabara de acontecer bem na minha frente.

Quando se levantou e se preparou para sair, a garota que ‘sorria com os olhos’ virou-se.

Ambas seguraram seus rostos e se beijaram.

Beijaram-se lindamente no rosto, com toda a ternura que existe neste mundo. Com carinho, com afeto, com ‘care about’, com desejo, com vontade, com amor.

Essa demonstração mútua de afeto me transformou naquele dia. Pensei nas garotas o dia todo, torcendo para que as encontrasse no retorno, o que não aconteceu.

Não importa.

Elas espalharam os melhores fluídos sobre mim e isso que interessou naquele dia. De fato... Eu pensei a mesma coisa.

Lembrei-me desta história porque hoje encontrei com uma delas, no mesmo ‘Pinheiros’. Estava só.

Não pude ver beleza alguma nela.

 

Abolinario Trassatudo escreve neste blog às sextas, pois sexta-feira é dia de cerveja, mulher e rock’n’roll: pedir futebol seria demais?



Escrito por Abolinario Trassatudo às 10h21 AM
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   Carteira Nacional de Habilitação

Depois de 4 meses de um processo duro de vencer a preguiça e driblar os demais compromissos, eu fui renovar a minha Carteira Nacional de Habilitação. Pela segunda vez. Da primeira, era só fazer um simples exame médico, que faz constar na minha CNH a frase “lentes corretivas obrigatórias”, e pronto. Mas há alguns anos, com a mudança na legislação, além do exame médico, o motorista tem que fazer uma prova de múltipla escolha, baseada no conteúdo de duas apostilas: uma de direção defensiva e outra de primeiros socorros.

 

Adquiri as duas já faz algum tempo. Li tudinho, estudei, fiquei mais inteligente, aprendi algumas coisas que, confesso, eu não sabia. Mas tinha uma preguiça sem fim de ir resolver isso. Até que, quando a necessidade me bateu na cara, num teve jeito. E lá fui eu. A última vez que fiz prova de alguma coisa, ainda era obrigatório levar lápis preto nº 2 e borracha macia.

 

Cheguei, entreguei documentos, paguei e fui informada de que o processo era rápido. “Ah, leva uns 40 minutinhos”. Dobrei a esquina do corredor em direção a sala e... tinha fila. Sim, tinha fila na auto-escola para fazer o exame médico para renovar a carteira de habilitação às 15 pras 5 da tarde de uma segunda feira. Tinham 7 pessoas na minha frente. Numa matemática rápida, se o maldito médico demorasse 15 minutos por pessoa, eu mofaria em pé naquele lugar por quase duas horas. Pessoas na fila diziam que o doutor tinha chegado atrasado. “Chegou atrasado de onde? Do almoço? São CINCO DA TARDE!!!!”

 

O celular de um cara não parava de tocar. O toque era uma música irritante. Ele conversava em voz alta e falava coisas como “pede para ele passar no escritório ainda hoje e falar com a Fabrícia. Diga que já falou comigo.” Nesse instante, entra uma loira (ah, vá?), faz uma cara de espanto e pergunta: “Todo mundo aqui vai fazer exame médico?”. “Não, filhota. Trata-se de uma gincana que vai premiar o indivíduo que ficar mais tempo na fila. O troféu é um quilo de mortadela. Eu, por exemplo, já estou aqui há uma semana!”

 

Mas o médico foi ligeiro. Às 17h30 chegou a minha vez. Me fez agachar e levatar, rodar os braços para frente e para trás, fazer o 4 com ambas as pernas (verdade!) e ainda quis ver as minhas duas canelas. Ele nem se importou muito que eu confundi o N com H, o S com o 8, revelando meus óculos vencidos há tempos. Me aprovou, mesmo sem que eu exergasse direito.

 

Me dirigi a outro balcão para fazer a tal da prova de múltipla escolha. Tava tensa, tentando lembrar tudo o que eu tinha estudado há dois meses nas apostilas. Ninguém mais usa lápis preto nº 2 e borracha macia, claro. A prova é informatizada. Tive dúvida em duas questões (ai, sabia que eu não tinha estudado o suficiente...). E várias delas são tão patéticas que me fizeram passar um pouco de vergonha, rindo sozinha, olhando pro micro, numa salinha com mais meia dúzia de pessoas:

 

*Quando ingere bebidas alcoólicas, você:

 

A- Só dirige depois que vomitar tudo o que bebeu

B- Toma café para curar a bebedeira

C- Redobra a atenção ao volante

D- Toma substâncias estimulantes

E- Não dirige

 

 

Tá, não era exatamente assim, mas era tão ridículo quanto. Eu tinha 40 minutos para responder 30 questões. Usei 15, contando com a revisão das alternativas escolhidas. E eu juro que quando eu saí da salinha ainda tinha gente que tava lá antes de eu chegar, olhando pra tela com cara de dúvida. Entendeu porque tanta gente morre em acidentes de trânsito? São essas pessoas que colaboram enormemente com os congestionamentos infernais dessa cidade!!!

 

Voltei ao balcão. O funcionário olhou pra mim sorrindo e disse:

 

- Parabéns, Verga Lião. Você foi aprovada! – como se eu tivesse acabado de passar por uma prova de MBA das mais cabeludas.

 

Ah, muito obrigada, hein!

 

 

Garçom, quer carona? Agora eu tenho habilitação!

 

Verga Lião escreve... escreve.... escreve.



Escrito por Miss Verga Lião às 8h09 PM
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   CASSIANO, O MASSAGISTA

Fui gentilmente convidada por uma assessora de imprensa a conhecer uma clínica estética para quem ela trabalha. Eu faria massagem com um profissional especialista em medicina oriental, acupuntura e quetais. Não entendo nada disso. O mais perto que eu cheguei de qualquer aspecto oriental foi freqüentar a feirinha dominical da Liberdade - e nego até a morte qualquer afirmação contrária a esta!

 

A assessora me levou para conhecer a clínica e me despachou numa salinha de massagem para o Cassiano, um japonês meio orelhudo, de cavanhaque, óculos, voz calma e muito simpático. A sala, na verdade, era grande. E, claro, tocava aquelas músicas instrumentais, algo como um plágio barato de Enya. Eu ODEIO Enya! Pensei: “por que não música eletrônica, tipo lounge? Me faz relaxar bem mais”. E, como quem leu metade dos meus pensamentos, Cassiano trocou o CD. Por outro de música instrumental, mas menos irritante.

 

O japonês me fez deitar naquela cama gigante:

“Mostra a língua!”

“Hein?”

“É, Verga, pra saber se tá tudo bem no seu sistema digestivo.”

 

Abri o bocão, ele não disse nada, além de “hum...”. Em seguida, Cassiano pediu, com sua delicadeza oriental:

“Vira a cabeça pra lá um pouquinho, deixa eu ver sua orelha.”

 

Essa parte eu entendi, porque tem os pontos da orelha que equivalem às partes do corpo e tal...

“Você tem problema de estômago?”

“Não” – desconsiderando o fato de eu me alimentar de tranqueiras variadas em horários pouco convencionais.

“Hum...”

 

Até aí, tava tudo mais ou menos indo bem. Então, Cassiano passou a tatear meu pulso esquerdo com a ponta dos dedos lambuzada de cânfora – ou sei lá que diabos era aquilo. E começou a disparar afirmações assustadoras:

 

“Nossa! Você é agitada!”

“...”

“Hum... Ansiosa demais, Verga.

“!!!”

“Detalhista também. Se o teto estiver pintado bonitinho, mas houver uma pintinha naquele canto, você vai reparar e vai dizer.”

“Detalhista foi um termo atenuante para ‘chata’, né, Cassiano? (rindo de nervoso)”

“Você é organizada também, não? Regrada com o seu trabalho?”

“Ã-hã” – concordei, num murmuro quase inaudível.

 

Cassiano trocou o pulso esquerdo pelo direito, com cânfora:

 

“E você é muito racional, não?”

“...”

“Pensa muito antes de tomar qualquer decisão, pondera...”

“(gente, quem contou tudo isso pra esse japonês? Será que é alguém disfarçado? Uma pegadinha? Tá bom, pessoal, já chega! Dé, Lica, Lu, Fê, Marcelo, Pati, Di, Banana, Mila e Kadu podem entrar na sala com os apitos, bexigas e presentes para mim)”

 

 

 

CONTINUA NO POST SEGUINTE, AQUI EMBAIXO...



Escrito por Miss Verga Lião às 1h56 AM
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   CASSIANO, O MASSAGISTA - PARTE II

(...)

 

Mas o japonês estava impossível e não se continha jamais:

 

“Nossa, que curioso... Você é pouco emocional. Se bem que...” – fez uma pausa e apertou com um pouco mais de vigor dois pontos específicos do meu pobre pulso - “...quando você gosta de alguém, gosta pra valer, né? Fica até grudenta!” – riu.

 

Aí, já era demais. “Grudenta é a sua mãe, japonês atrevido do caráleo!” Só pensei, não falei.

 

“Grudenta é uma coisa que eu, definitivamente, não sou, Cassiano.”

 

Acho que ele percebeu uma certa seriedade no meu tom de voz, resolveu parar com as adivinhações e partiu para a massagem propriamente dita. Colocou as minhas costas no lugar (certo), apertou todos os ossos de todos os meus dedos, fez doer as minhas pernas (área do sistema digestivo), deu uns apertos no meu rosto, amassou meus braços... Saí leve, depois de quase uma hora e meia de tortu... digo, de relaxamento.

 

Se por acaso você estiver em crise existencial, sem saber muito bem quem você é, eu tenho um massagista ótimo para recomendar! Mas, aviso: pode doer.

 

 

Garçom, pega aquele metatarso pra mim ali no canto, por favor!

 

Verga Lião escreve às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira.

 

 



Escrito por Miss Verga Lião às 1h52 AM
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   Do acalento para quem nunca deixou de acalentar

“Consoada”

 

“Quando a Indesejada das gentes chegar

(Não sei se dura ou caroável),

Talvez eu tenha medo.

Talvez sorria, ou diga:

- Alô, Iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

(A noite com seus sortilégios.)

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta,

Com cada coisa em seu lugar.”.


(Manuel Bandeira)

 

Cada coisa em seu lugar...

Mas, qual lugar? Onde?

Quantas foram as vezes que deixei tudo fora de lugar?

Deixei que cada coisa estivesse longe, bem longe de seu lugar correto.

Tomado por sensações e sentimentos confusos, vi-me destroçado por dentro. Um zumbi, sem interior e sem alma: pele e osso de emoções.

Retorno, ainda anêmico, mas com sobras de lucidez. Esta, que tanto me faltou nos últimos tempos e que teimava em me esvair as forças.

Temo apenas por ti, que com o coração em chamas, desliza por este perigosa estrada.

Não falo de amor, falo da falta dele e de como pode ser fácil assistir o desamor bater à nossa vida.

Lembre-se: está tudo bem, ainda que não esteja.

Sabemos que não haverá outra forma: acabaremos nossas vidas entrelaçados. Eternos sob a batuta de nossas vivências conjuntas.

Demora a perceber quando o recanto dos desesperados é corrente.

Sabe-se que nada da vida apetece; que tudo o que é belo, feio fica; que a descrença em qualquer uma das quaisquer coisas domina nosso ser.

Deixa estar.

Mas, deixa estar até um pouco apenas: deixar mais, mais trabalhoso para deixar de deixar será.

Fite-se no que existe de concreto e no que pode tornar a ser concreto.

Repito Fernando Pessoa - minha absoluta falta de lirismo me permite apenas repeti-lo, sob o risco de tornar-me um déspota da letra: “Pedras no caminho? Encontrarás muitas mais. Guarde todas: ao final do percurso, construirás um castelo.”.

Acalme-te, que nosso castelo está apenas nas fundações.

Existe muito a ser feito ainda.

Acalme-te: querer mudar os outros antes de nós mesmos parece-me uma tarefa ingrata, improvável. Atenta-te ao que precisas para rescaldar teu incêndio. Os outros: já os abandonamos há tempos e sabemos que foi o melhor.

Levanta-te: o mar azul de todos os dias fita-te incansável, em busca de idolatria – nisto, precisamos nos fiar diariamente.

A tempestade, enquanto age, parece ser eterna. Mas ainda que existam as nuvens, o sol está lá, no lugar de sempre. Onde sempre estará: inexoravelmente.

Que sua alma esteja sempre em paz.

O campo estará sempre lavrado, a casa estará sempre limpa e a mesa estará sempre posta!

 

Abolinário Trassatudo andou ausente por conta das agruras terrenas e pretende retomar sua cadeira neste botequim gradativamente. Sempre, às sextas-feiras!



Escrito por Abolinario Trassatudo às 5h27 PM
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   Who? Yasser? Coffee? Rice? Whaaaaat?

Garçom, traz uma porção de arroz e uma xícara de café, por favor! Quem? O quê?

 

Verga Lião escreve às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira. Crédito da dica do vídeo ao santo rapaz que me agüenta umas 4 vezes por semana...

 



Escrito por Miss Verga Lião às 10h19 PM
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   Politicamente correto, o caralho!

Acho que o título acima já explica um pouco porque eu sumi durante meses e agora, do nada, estou voltando a escrever neste blog. Goste você ou não. Incluo nisso meus companheiros de blog, Verga e Bolina. E em vez de escolher um tema, hoje eu sou o tema. Soa pretensioso, mas.........foda-se. Veja que bela esta palavra: foda-se. Existe verbete mais libertador? As pessoas se privam de dizer foda-se porque é pecado. Eu entendo nossa cultura católica. Mas fodam-se os católicos.

 

Queria dizer que eu acho uma merda ser politicamente correto. Ainda se o termo fosse “civilizadamente correto” ou “conscientemente correto” ou “irmanamente correto” eu até que aceitaria, mas um termo que tem político no meio, não pode ser correto, né?

 

Está na moda ser politicamente correto. Mas quem consegue viver disfarçando sentimentos ou engolindo sapos o dia todo? Ninguém. As boas regras de conduta colam uma etiqueta vermelha na testa de quem contesta esta moral. E quem sempre se fode sou eu. Porra, eu pertenço à classificação social mais desfavorável de todas e ninguém se preocupa com isso. Não sou mulher. Não sou criança. Não sou velho. Não sou aleijado. Não sou cego. Não tenho carro adaptado. Não tenho adesivo azul com desenho de cadeira de rodas grudado. Ou seja, me fodo bem no dia-a-dia. 

 

Tenho que ceder lugar pra senhora que teve a vida toda pra fazer a compra do mês, mas decidiu fazê-la justamente no único instante que tenho livre do dia para ir a um mercado. Tenho que rodar mais de meia hora no estacionamento de um shopping porque o filho da puta do deficiente físico resolveu assistir o Big Brother, ficar em casa e não ocupar a única vaga vaga do estacionamento. Tenho que dar a vez para o velho sacar a miséria de aposentadoria só porque ele viveu mais do que eu. E duvido que quando esse velho era jovem, existia essa merda de politicamente correto. Não, ainda tem o pior. Tenho que deixar a vagabunda entrar na minha frente na fila só porque ela tem uma xana no meio das pernas. Ladies first. Pode? Cadê os direitos iguais?

 

Olha, esse lance de politicamente correto foi inventado para conduzir os candidatos a trouxa ao pódio de trouxa-mor. Só pode ser. Educação e cidadania é uma coisa, ser trouxa é outra. Veja bem: o sujeito-macho, hómi-dama, quer dar a bunda feito doido por aí e ainda é feio chamá-lo de viado? Que merda é essa? Ah, mas “é preconceito chamar o cara de bixa”. Vou chamar do quê? De Jesse Valadão? Vai pra puta que pariu esse mundinho distorcido que me rodeia. Esse termo “politicamente correto” me enjoa. E se você discordar de mim, eu vomito em você. Ah, esqueci de dizer: eu adoro comprar cervejas e ir tomando no carro, enquanto eu dirijo. E nunca bati. Só sinto que uma vez, numa freada brusca, derramou um pouco da cerveja. Que desperdício.

 

Paul Glande escreve às quartas. Porque de quarta é mais gostoso.



Escrito por Paul Glande às 9h40 AM
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   Não ultrapasse a linha amarela, se não eu atiro

Versar sobre a vida pessoal alheia sempre foi prática corriqueira dos desocupados. Desprovidos de atividades, de idéias, de intelecto, de uma pia cheia de louça, de assuntos e vidas interessantes... Porque um ser humano interessante, que leva uma vida minimamente interessante, não perde tempo falando dos outros. Mas nada parece melhor do que comentar fatos que absolutamente não dizem respeito a eles. Eu poderia desenvolver aqui um longo raciocínio sobre o interesse e a curiosidade pela vida alheia. Mas tenho preguiça. Basta reparar na quantidade e na audiência de programas e revistas de fofoca que trazem sempre (pseudo)celebridades na capa.

 

Acontece que eu não sou celebridade. Nem pseudo (hahaha). E mesmo assim nada me irrita mais do que ser assunto de fofoqueiro. Porque, veja bem, esta medíocre criatura jamais vai falar algo bacana a seu respeito. Uma bola dentro que você deu. Uma atitude legal. Uma boa matéria. Não. Ela prefere o quem-saiu-com-quem, quem-comeu-quem, quem-puxou-o-tapete-de-quem, quem-traiu-quem, quem-brigou-com-quem. Geralmente, seguido de um comentário pessoal que contém grande dose de maldade. Ou de mentira. 

 

Minha meia dúzia de neurônios - ocupada à beça quase sempre - às vezes perde alguns minutos tentando entender o que muda na vida dessas pessoas quando elas especulam por que eu mudei de emprego, a que horas eu fui dormir, aonde eu estive, com quem eu saí, saio e um dia ainda virei a sair, o que eu disse a respeito da crise aérea e da reprodução dos dragões de Comôdo... O que muda? O que acrescenta? No que elas se tornam melhores? No quê? Me diz! 

 

A horda de desocupados que não têm o menor senso do limite estabelecido pela linha amarela só aumenta. A cada dia mais um adere ao bando. Para sorte deles, eu não tenho uma arma. Infelizmente.

 

 

Verga Lião escreve às segundas, freqüentemente depois da meia noite, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira!



Escrito por Miss Verga Lião às 12h24 AM
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   Trechos Emprestados

"Eu tenho uma teoria. Os indivíduos se dividem em duas categorias: os ordinários e os extraordiários.
Os ordinários são pessoas corretas, que vivem na obediência e gostam de ser obedientes.
Já os extraordinários são os que criam alguma coisa nova, todos os que infringem a velha lei, os destruidores.
Os primeiros conservam o mundo como ele é.
Os outros movem o mundo para um objetivo, mesmo que para isso tenham que cometer um crime."

Raskólnikov

 

 

"Find sometimes it's easy
To be myself
Sometimes I find it's better
To be somebody else"

So Much To Say - Dave Matthews Band

 

 

Garçom, traz uma extraordinariamente gelada!

 

 

Verga Lião às vezes se apropria de ditos alheios às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira!

 



Escrito por Miss Verga Lião às 2h09 AM
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   Um Dia Ainda Moro em Palermo

Tenho um amigo que vai a Buenos Aires agora no começo de maio.

Numa conversinha despretensiosa, via internet, primeiro pedi que ele me trouxesse uma cerveja Quilmes. Depois, deixando a megalomania fluir, pensei em encomendar o bairro de Palermo – o meu preferido. Mas me contive e pedi apenas para que ele trouxesse para mim a Plaza Serrano – meu lugar preferido entre todos os que estive na cidade.

 

Expliquei que já havia tentado trazê-la para cá, quando fui a Buenos Aires, no Reveillón, mas que tinha sido barrada na alfândega. Na ocasião, tentei o velho truque da carteirada de jornalista, explicando para o policial que se tratava apenas de um empréstimo, que a Praça seria personagem de uma reportagem especial sobre os bares da cidade, mas não teve jeito... Só eu voltei. Minha Plaza Serrano continuou em terras argentinas.

 

E ele, o amigo, adivinhou exatamente como foi a cena na época...

 

Verga com a praça dentro da mala tentando embarcar no aeroporto de Ezeiza. Cães treinados cheirando tudo e fazendo o maior auê.

POLICIAL (suspeitando): A senhora carrega algo ilícito dentro dessa mala?

VERGA (nervosa, tentando dissimular): Er... não.. não que eu saiba...

POLICIAL (enfático): A senhora sabe que não permitimos o transporte de praças em vôos internacionais, não sabe?

VERGA: Sei, evidentemente...

POLICIAL: Abra a mala, por favor.

Verga abre e mala e, ciente do flagrante, finge surpresa.

VERGA: Oh, nossa, uma praça... como isso veio parar aqui?

POLICIAL (enquanto tira as algemas do bolso): Mãos na cabeça!

 

 

Garçom, paga a fiança e me tira daqui?

 

 

Verga Lião às vezes acerta o dia e escreve às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira!



Escrito por Miss Verga Lião às 2h22 AM
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   Monotemática

Da Folha On Line:

Os Estados Unidos aprovaram o visto de entrada para o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que ele participe da reunião do Conselho de Segurança da ONU a respeito do programa nuclear iraniano, informou o Departamento de Estado nesta segunda-feira. "Nós recebemos o pedido de visto e o aprovamos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack.

Será que tá na hora de eu começar a enriquecer urânio?

 

Garçom, traz duas porções de ogivas, no capricho!

Verga Lião insiste em passar férias na Califórnia e escreve sem regularidade alguma...

 



Escrito por Miss Verga Lião às 1h15 AM
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   Das diferenças entre peixes e humanos

Rêmora.
Por definição, peixe.

Muito comum, é encontrado em mares tropicais e intertropicais.

Também conhecido sob os seguintes sinônimos: agarrador, pegador, peixe-pegador, peixe-piolho, piolho, piolho-de-cação, piolho-de-tubarão, piraquiba, prendedor e por daí adiante.

Para quem não tem idéia do que se trata, é só lembrar daquele peixinho que fica embaixo da nadadeira do tubarão, comendo tudo o que ele deixa escapar ao longo de suas orgias gastronômicas.

Ultimamente, esta peculiar espécie tem se desenvolvido com enorme astúcia entre o homo-sapiens.

Pergunto aos meus assombrados botões como pôde chegar a tal ponto de avareza o ser-humano comum? Ou será, perguntam-me desta vez os mesmos assolados botões, que se trataria de um fenômeno apenas deste triste país?

Confesso que não tenho resposta para esta indagação, mas a julgar pelo estágio de desenvolvimento social de que gozam os países do norte, penso que o homo-sapiens de lá está alguns milhares de passos à nossa frente.

Citei a pobre rêmora simplesmente como uma figura para ilustrar o meu repúdio àquela gente interesseira (seja pelo que for - drogas, dinheiro, posições, sexo – a lista é infindável), que se aproxima de nós sempre com algum ‘plano’ a ser executado.

Entristece-me perceber como são melancólicas.

Desconhecem a amizade, por completo, e imaginam justamente o contrário.

Crêem piamente, vivamente, que sim, esta é uma maneira de amizade: amar a outrem pelo que ele tem a oferecer.

Ainda que o oferecido seja uma carreirinha de pó ou então uma garrafa de vodca: não importa! Isso sim é que é amizade!

Desespera-me ainda cair nestas armadilhas ardilosas - por pura inocência o ainda por saber como é difícil encontrar pessoas que não tenham este péssimo hábito.

Enerva-me o fato de isso acontecer com certa freqüência.

Certamente que não teremos apenas excelentes pessoas ao nosso lado, ao longo de nossa existência: isso seria duvidar da imbecilidade humana, tão em voga nos dias atuais.

No entanto, sinceramente, começo a questionar a necessidade ou até mesmo o desejo de ter pessoas – seja de qual tipo - ao meu redor.

Cansam-me as falsas hipocrisias; camaradagens; inteligências; estratagemas; frivolidades e quaisquer outras ‘qualidades’ das pessoas ditas pós-modernas.

Irrita-me, à beira da insanidade, o pós-modernismo.

Quanta gente idiota, imbecil.

Que Era idiota e estúpida a que vivemos.

Que alguma força maior tenha pena desta humanidade – em face do que acontece por aí (ou por aqui), é evidente que o criador desistiu de nós.

Das rêmoras, tenho certeza que não: elas desejam apenas se alimentar.

Não são nocivas ao tubarão que acompanham e, certamente, nunca o trocarão por outro.

Apesar de parasita, a rêmora tem algo que o homo tropical desconhece: lealdade.

  

Abolinario Trassatudo escreve neste blog às sextas, pois sexta-feira é dia de cerveja, mulher e rock’n’roll: pedir futebol seria demais?



Escrito por Abolinario Trassatudo às 12h15 PM
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   Eu detesto os EUA

Este título é a frase mais clichê de que se tem notícia nas três últimas eras glaciais. Eu não vou ficar citando aqui todas as justificativas e motivos que me fazem escrever a frase mais clichê de que se tem notícia nas três últimas eras glaciais.

 

Por uma combinação de razões, eu decidi ir aos malditos Estados Unidos da América nas minhas próximas férias, ficar 15 dias na casa de uma amiga. As conversas sobre os programas que faríamos me deixaram tão animada, que eu simplesmente esqueci que a Califórnia fica naquele país. Não, eu não iria aos Estados Unidos. Eu iria a Los Angeles! Fantástico, não?

 

Eu, pessoa ignorante, que nunca quis ir aos Estados Unidos da América, já tinha ouvido falar na burocracia e na histeria sem fim que é conseguir um visto para entrar naquela terra. Mas eu, pessoa procrastinadora até a segunda dobra da orelha, deixei para providenciar esta parte a dois meses da viagem, acreditando que não haveria problema.

 

Pois a novela estava apenas começando. Primeira etapa: entrar no site da embaixada norte americana no Brasil. Lá tem um passo a passo de “o que você deve fazer para tentar visitar os Estados Unidos, seu imbecil!”. Segui as orientações, ao lado de uma amiga que me ajudou a preencher aquele formulário interminável, porque eu sei verbos e substantivos em inglês direitinho. Só não sei onde eu coloco o quê, na frase.

 

Depois de responder perguntas tão inteligentes quanto “você pretende cometer algum ato terrorista em território norte-americano?”, informei que pretendia viajar no dia 10 de maio e paguei 38 reais no cartão de crédito. Só então avancei ao passo número 39 do site, para agendar a minha entrevista.

 

Surpresa: data disponível para entrevista em 31 de maio. TRINTA E UM DE MAIO!!! Alô, excelentíssimo senhor embaixador, eu disse que pretendo viajar no dia 10, entendeu? 5 dias depois da maldita data da entrevista eu tenho que voltar a trabalhar...

Me diga o que tanta gente quer fazer naquela porra de país! Me diga!!! Será que se eu disser que tenho a intenção de cometer um atentado terrorista em território norte-americano eles me atendem mais rapidamente?

 

 

Garçom, quer cinqüentinha pra ser um homem bomba?

 

 

Verga Lião escreve às segundas... não, às terças... ah!



Escrito por Miss Verga Lião às 2h11 AM
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   SONO MODE ON

Cena:

eu dirigindo, cantarolando; o cidadão no banco do passageiro já estava acordado (ou tentando se manter assim) há 22 horas.

Diálogo:

Verga:  meu, cê tá quase dormindo!

Cidadão:  é, eu tô cansado, mas não tô quase dormindo. Eu durmo de uma hora pra outra. Passo do modo "acordado" para o modo "dormindo" em dois minutos, assim, sem transição democrática.

 



Escrito por Miss Verga Lião às 12h48 AM
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   Cinco Livros e Um filme

“– Concordo com você. Também achei que não estava ruim assim bem curto. Mas nenhum rapaz elogia meu novo corte de cabelo. Dizem que pareço uma aluna do primário, que acabei de sair de um reformatório juvenil, coisas do gênero. Por que os homens adoram mulher de cabelos compridos? Que comportamento facista. Pura babaquice, você não acha? Por que será que os homens acreditam que uma mulher de cabelos longos é sempre refinada, carinhosa e feminina? Eu mesma conheço pelo menos 250 garotas nada refinadas de cabelos compridos. Juro.”

 

“Nessas horas, eu me esforçava em analisar o que estava acontecendo no meu coração, enquanto admirava as partículas de luz flutuando nesse espaço silencioso. O que afinal eu procurava? E o que afinal as pessoas procuravam em mim? Eu era incapaz de obter uma resposta conclusiva. Às vezes, estendia a mão em direção às partículas de luz flutuando no ar, mas as pontas dos meus dedos não tocavam em nada.”  Norwegian Wood - Hariki Murakami

 

 

“Todos nós passamos muito tempo sem dizer o que queremos, porque sabemos que não podemos ter o que se quer. E porque podemos parecer indelicados, mal-agradecidos, desleais, infantis ou superficiais. Ou porque vivemos tão desesperados em fingir que está tudo realmente bem, que admitir que não está parece vacilo. Vá em frente, diga o que você quer. Talvez não em voz alta, caso vá se encrencar por isso. “Gostaria de nunca ter me casado com ele.” “Gostaria que ela ainda estivesse viva.” “Gostaria de nunca ter tido filhos com ela.” “Gostaria de ter muita grana.” “Gostaria que todos os albaneses voltassem para a Albânia.” Seja o que for que você queira, diga para si mesmo. A verdade te libertará. Ou te dará um soco na cara. Sobreviver em seja qual for a vida que você esteja levando significa mentir e mentir, corrói a alma; pare de mentir apenas por um minuto.”  Uma Longa Queda - Nick Hornby

 

 

“Nossos fantasmas nos empurram em determinadas direções, conspirando tenazmente entre si para que certos encontros se tornem inevitáveis”

“É impressionante a capacidade de recuperação do ser humano na flor da idade. E notável sua habilidade em lamber feridas ao sol. Sorte de quem passa por perto na hora certa...”   Olho de Rei - Edgard Telles Ribeiro

 

“Mas hoje não estou muito organizado por dentro. Não posso escrever. Só repito uma frase: amo as cicatrizes, não as feridas. Por que repito isso como um paranóico? Amo as cicatrizes, não as feridas.”  Pedro Juan Gutierrez - Trilogia Suja de Havana

 

 

"Não se engane: os loucos mansos se antecipam ao porvir." Gabriel Garcia Marquez - Memórias de Minhas Putas Tristes

 

 

“É um momento inquieto.

Ela manteve a cabeça abaixada

Para permitir que ele chegasse perto

Mas ele não conseguiu, por falta de coragem.

Ela se virou e foi embora”

Amor à Flor da Pele - Wong Kar-Wai

 

 

Verga Lião às vezes dá as caras às quartas, já que Paul Glande morreu...



Escrito por Miss Verga Lião às 10h26 PM
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   Ah, o Carnaval!

A pessoa que não perde a chance e quase já se acostumou a reclamar e a se lamentar diz:

 

Nos seis últimos anos eu tive que ir trabalhar no Sambódromo do Anhembi. Todo ano. E todo ano, quando saía a escala de quem ia pra lá, eu amaldiçoava todas as gerações da chefia. Até chegar o dia dos desfiles... Porque o trabalho é exaustivo. 12, 13, 14 horas por dia, falando sem parar. É desgastante. Por dois dias, não dava pra fazer nem pensar em mais nada que não fosse samba enredo, alas, fantasias, tempo de desfile, harmonia e evolução. Chegava ao Sambódromo às 8 da noite e só saía de lá as 8, 9 horas da manhã. E às vezes ainda tinha que voltar pra redação, antes de ir pra casa dormir lá pelas 10, 11 horas da manhã. Até às 7, 8 da noite do dia seguinte, quando começava tudo de novo. Mas não dá pra negar que eu me diverti muito em todos os 6 anos de desfile que tive que acompanhar.

 

Isto posto, digo: este ano, pela primeira vez em 7 anos, eu não fui trabalhar no Anhembi. E senti uma falta danada! De reunir todo mundo e sair para o Sambódromo; de receber aquela apostila com o os enredos detalhados das escolas; do estresse; da adrenalina; de ouvir 8 horas de samba ininterruptas; de encontrar as pessoas que também têm que trabalhar todo ano nos dias de desfiles e amaldiçoam seus chefes; de sentir dor nas pernas por ficar tanto tempo em pé; dançando... Trabalhei no fim de semana (porque peão não escapa, não tem jeito) e voltei pra casa ouvindo esse povo todo no rádio. E quando cheguei em casa, continuei acompanhando o desfile pela televisão. Quem vê, até pensa que eu A-DO-RO carnaval...

 

Por falar em televisão, uma consideração: a TV Globo transmitindo o desfile da Nenê de Vila Matilde, na primeira noite, que homenageou o Grupo Bandeirantes de Comunicação. O que não dá é para ouvir o Chico Pinheiro chamando a Bandeirantes de “co-irmã” e a Leci Brandão dizendo que a Globo é "digna" por falar da concorrência.

 

Pra finalizar: ainda tem dois dias de carnaval. Eu espero que a Gaviões da Fiel volte ao Grupo Especial e que os paulistanos estejam bem preocupados e envolvidos com o samba e deixem os cinemas vazios.

 

 

Garçom, traz uma garrafa de cuíca gelada e uma porção de tamborim no capricho!

 

 

Verga Lião escreve às segundas, porque a segunda é sempre melhor do que a primeira!



Escrito por Miss Verga Lião às 1h14 PM
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   Música. De novo.

A minha memória musical é impressionante. Às vezes eu ouço uma canção e me lembro e-xa-ta-men-te de uma situação, revivo sensações e até sinto cheiros da época. É meio assustador até... E muito disso deve ser porque desde pequena fui, voluntária e involuntariamente, pontuando os capítulos da minha vida musicalmente – quando a Elis morreu, eu chorava copiosamente e segurava um lenço branco de coraçõezinhos minúsculos e cor-de-rosa, me lembro nitidamente. Eu tinha 3 anos.

 

Tem aquela música que me faz rememorar o passeio de moto de fim de semana, escondido da mãe, com o amorzinho proibido adolescente; aquele samba que me lembra ginásios, arquibancadas e o maior amor adolescente de todos; aquele reggae que me faz viver de novo um reveillón dos sonhos na praia. Em compensação, não posso ouvir nem uma palavra cantada pela Björk que me dá uma sensação horrorosa, a mesma que tive há uns anos e que não quero ter nunca mais... E, assim, até hoje a música tem um poder inacreditável sobre este serzinho que espanca o teclado neste momento.

 

Dave Matthews Band para momentos de estranheza, tristeza e/ou desconforto. Ouço “#41”, “Crush”, “Crash Into Me” e “Grey Street” à exaustão, descontroladamente. Tenho um amigo que me conhece tão pouco que diz: “ai, você tá ouvindo DMB, tenho medo! O que foi dessa vez?”

 

Quando estou ou quero ficar feliz, escuto “Mr. Brithside” do Killers e é tiro e queda: saio saltitando – muito embora eu desconfie que esta canção tenha que ser vetada em breve por outras lembranças que chegam coladas à sensação de plenitude e nem são tão alegres.

Mas na falta do Killers tem o Bloc Party que funciona tão bem quanto, com sua “Banquet”.

 

Pra baixar a adrenalina, o remédio é Death Cab For Cutie. “Soul Meets Body” me dá uma leveza inexplicável, o mundo fica lindo, as pessoas se tornam agradáveis, é quase um milagre. Funciona na hora de dormir. “Krafty”, do New Order tem quase o mesmo poder, mas não na hora de dormir.

 

Falando nisso, um dos melhores sons pra dormir: Guillemots. “Trains To Brazil” é mais alegre, além de algumas outras, mas o resto do disco resolve como canção de ninar ou pelo menos pra relaxar.

 

Ladytron também me alegra o dia, especialmente “Destroy Everything You Touch”. Me faz dançar involuntariamente, assim como “Blister in The Sun”, do Violent Femes – pra cantar bem alto com a irmã no carro.

 

(Eu já disse que adoro George Michael? E Tears for Fears?)

 

Outro dia eu ganhei “Walk On”, do U2, no mail. E confesso que, embora já tivesse ouvido várias vezes, nunca tinha me atentado muito à canção... Até ser surpreendida por ela e pelas tais das inexplicáveis sincronicidades de Jung, dias depois. E agora eu gosto. Da música e das sincronicidades.

 

Vira e mexe eu aperto o PLAY em “Love Generation”, do Bob Sinclair, que é um pop dançante que toca em qualquer balada da Vila Olímpia e que normalmente eu ignoraria solenemente. Isso se a canção não me fizesse lembrar de uma cena: uma moça linda, magra, alta, de olhos verdes e cabelos cacheados, que mora no meu coração, dançando, meio breaca, de olhos fechados, braços abertos e sorriso no rosto, expelindo toda a felicidade do mundo, como se só ela existisse naquela Love Story entupida de gente às 8 da manhã! E rio sozinha. E fico tão feliz como naquele dia!